Eco-Cartaxo convida Câmara Municipal do Cartaxo e Juntas de Freguesia do Concelho a aderirem à iniciativa “Autarquias sem Herbicidas/Glifosato”

Em baixo segue uma transcrição de uma carta que a Eco-Cartaxo enviou aos senhores presidentes da Câmara Municipal do Cartaxo e das Juntas de Freguesia do Concelho no sentido de se acabar com uma prática comum mas muito prejudicial para a saúde.HERBICIDA
Cartaxo – 31 de Maio de 2015

Exm.º Sr. Presidente da … (Câmara Municipal do Cartaxo / Junta de Freguesia de …)

A Agência Internacional para Investigação do Cancro (IARC), instituição especializada da Organização Mundial de Saúde (OMS), confirmou em estudo divulgado em Março de 2015 a relação direta do agrotóxico glifosato como agente potencial de cancro em humanos e animais.

O estudo foi produzido durante um ano, por 17 pesquisadores de 11 países diferentes. O glifosato foi encontrado no ar, na água e nos alimentos, deixando a população particularmente exposta, por viver perto de áreas intervencionadas com o herbicida.

Segundo a IARC, “Estamos confiantes em que o nosso processo é rigoroso e transparente, baseado nos melhores dados científicos, e livre de qualquer conflito de interesses”. O glifosato, comercializado em Portugal em diferentes formulações por empresas como a Monsanto, Dow, Bayer e Syngenta, entre outras, é usado com abundância por quase todas as autarquias para limpeza de arruamentos e bermas de estrada (uma das vias importantes de exposição das populações, segundo a IARC), para além de também ser vendido livremente para uso doméstico em hipermercados, hortos e outras lojas.

A multinacional Monsanto, fabricante do Roundup e do Spasor, herbicidas à base de glifosato para usos urbanos, cuja comercialização é autorizada no nosso país, defende que o mesmo é inócuo quando em contacto com insectos auxiliares, minhocas, abelhas e humanos. Atesta também a sua capacidade de biodegradação na água e no solo, escudando-se num certificado de compatibilidade ambiental emitido pela Manuquímica, responsável pela sua comercialização em Portugal. Contudo, há quem contraponha esta posição divulgada pela mão das empresas fabricantes e distribuidoras. Estudos científicos sem qualquer ligação às mesmas e publicados em revistas científicas mundiais, têm vindo a comprovar as consequências gravosas para a saúde e o meio-ambiente decorrentes da aplicação de vários herbicidas, com destaque para aqueles que têm o glifosato como substância ativa. Referem, por exemplo, que o glifosato atua nos animais como desregulador hormonal e cancerígeno mesmo em doses muito baixas, que podem ser absorvidas nos alimentos e na água para consumo. Por outro lado, a sua degradação é suficientemente lenta para que seja arrastado pela água da chuva, da rega ou de lavagem, em conjunto com resíduos tóxicos resultantes da sua degradação. A partir daí, irá contaminar os cursos de água superficiais (rios, ribeiros, albufeiras e lagos) e aquíferos subterrâneos. Estas novas evidências científicas comprovam que a análise toxicológica do glifosato e dos seus adjuvantes foi subavaliada pelas autoridades oficiais, em parte por estar apenas baseada em estudos apresentados pelas empresas fabricantes.

Salientamos, que a nova lei sobre o uso de pesticidas em Portugal (Lei n.º 26/2013, de 11 de Abril, que transpõe a Diretiva 2009/128/CE), contempla a aplicação destes produtos em espaço urbano apenas como o último recurso. Ressalvamos ainda, que existem outros meios – mecânicos, térmicos ou manuais – de combate às plantas infestantes, sendo que por vezes nem se justifica uma tão grande eliminação, já que as ervas têm diversas vantagens, como a proteção do solo e o fomento da biodiversidade.

De forma, a apelar ao abandono da aplicação de herbicidas, foi criada a iniciativa ‘Autarquias Sem Glifosato’, através da qual se pretende sensibilizar os municípios para os riscos ecológicos e de saúde resultantes desta prática que se encontra generalizada por todo o país. Ao aderirem a esta iniciativa, os concelhos e freguesias comprometem-se a deixar de aplicar herbicidas sintéticos no controlo de plantas infestantes em zonas de lazer, vias públicas e restantes espaços sob a sua responsabilidade.

Propomos assim, formalmente, antes que as consequências se agravem, que a (Câmara Municipal do Cartaxo / Junta de Freguesia…) suprima definitivamente o glifosato do seu procedimento de rotina de controlo de infestantes na área do (Concelho / Freguesia…), que procure e implemente alternativas não químicas para o controlo dessas plantas, e que demonstre de forma inequívoca a sua adesão a esta abordagem amiga do ambiente e da saúde dos seus munícipes, aderindo ao movimento “Autarquias Sem Glifosato”.

A Direcção da Eco-Cartaxo