2 de Fevereiro de 2008

Dia Mundial das Zonas Húmidas


A Eco Cartaxo celebrou no dia 2 de Fevereiro de 2008, o dia Mundial das Zonas Húmidas com um passeio no concelho do Cartaxo e arredores. Um grupo de amigos juntou-se para um dia de aventura e rumou à descoberta das zonas húmidas do concelho.

Santana

A primeira paragem teve lugar em Santana onde a D.Adélia, uma habitante nascida e criada lá, na porta da casa onde nasceu, falou-nos dos tempos em que a Vala Real tinha um papel fundamental no transporte de mercadorias e pessoas, em especial, vinho e cereais e o porto de Santana era frequentado pelas altivas fragatas. Actualmente, a realidade é bastante diferente, a vala já não permite o transporte de nada a não ser lixo e detritos oriundos sabe-se lá de onde… A falta de limpeza da vala ao longo dos anos levou a que as águas estagnassem de tal forma que estão completamente eutrofizadas, invadidas pelos jacintos-de-água que encontraram um meio propício ao seu desenvolvimento, alimentado pelas emissões a montante de matéria orgânica, a que não são estranhas as criações de animais, e nitratos e fosfatos, resíduos do tipo de agricultura praticada e que cobrem a água escura. Onde estão os robalos de outros tempos?... Fosse um fim de tarde de Verão e teríamos sido recebidos por uma nuvem de mosquitos e um cheiro nauseabundo. Como se queixava a D. Adélia…

Praia do Rossio - Porto de Muge

Na Praia do Rossio (ou do Aurélio) deparamo-nos com a segunda surpresa desagradável do passeio: onde antes havia uma bela praia fluvial hoje encontra-se um extenso areal. Não há muitos anos atrás as famílias cartaxenses reuniam-se ao fim de semana na praia, para desfrutar das águas do Tejo, onde as crianças brincavam à vontade.
Continuando a nossa viagem, em Valada fomos recebidos pelo Presidente da Junta de Freguesia, onde foi feito um enquadramento ambiental da freguesia de Valada, fértil em terras de cultivo mas ameaçada pelas novas técnicas de agricultura intensiva e pouco diversificada. Plásticos e recipientes vários, restos dos produtos utilizados, constituem um grave problema, como nós pudemos verificar ao longo do percurso. Outro flagelo para os habitantes de Valada é o lançamento, pelos pequenos aviões, de produtos altamente tóxicos (pesticidas) sobre os terrenos de cultivo e que acabam por ser arrastados pelo vento para a povoação. Se quanto ao tratamento dos efluentes domésticos de Valada não existem problemas de maior, segundo o Presidente da Junta, já o mesmo se não verifica em relação a Porto de Muge e Reguengo, locais onde o mau funcionamento das fossas particulares constitui uma preocupação. Por fim, uma boa notícia, não se conhece o uso de sementes transgénicas (OGM) na Freguesia. Até quando? Estaremos atentos.
Hoje em dia, Valada é um ponto de referência para os turistas, a construção da marina de Valada permitirá a prática de vários desportos náuticos, um autêntico paraíso para os amantes destes desportos.
O ponto alto do dia chegou à hora do almoço onde houve um banquete do famoso “Torricado” elaborado pelos melhores cozinheiros da região nas instalações do Ribatejano Futebol Clube Valadense, ao qual agradecemos a gentileza pela cedência do espaço.


Palhota

Depois do banquete fomos visitar a Palhota, uma aldeia avieira perdida no tempo, construída com casas de madeira, tipo palafitas. Nesta aldeia típica de pescadores, viveu Alves Redol, um escritor português que muito escreveu acerca do Tejo.

Palácio da Rainha - Azambuja

O Palácio da Rainha na Azambuja foi a última paragem do passeio. A Vala Real que visitámos em Santana culmina na Azambuja junto ao Palácio da Rainha que não apresenta melhor tratamento ao que é dado em Santana. Uma área com um enorme património ecológico completamente abandonada à típica inércia humana…para quando um vasto plano de limpeza e reconversão de toda esta região?
Os desgastes observados na que é considerada, e com razão, a melhor zona agrícola do país, não impediram que se vivesse um bom momento de amizade e de conversa ininterrupta. A prová-lo a opinião expressa pelos participantes convidados que afirmaram não querer ser esquecidos em próximos passeios.