Saúde em Ecologia
A progressiva evolução das organizações sociais que o homem foi criando ao longo dos anos está directamente relacionada com a crescente domesticação da Natureza, até atingirmos a relação actual com o meio que nos rodeia.
Esta evolução, arrastando o progresso do conhecimento, permitiu inúmeros avanços em todos os campos da Ciência, com relevo para a Medicina. O Homem lá foi conseguindo sobreviver a epidemias e muitas outras doenças, aumentando progressivamente a esperança e qualidade de vida, apesar de alguns penosos incidentes de percurso, como, infelizmente, é bem visível no mundo actual.
Apesar de tudo, o aumento populacional, proporcionado pelos múltiplos avanços sociais e científicos, é um dos factores que conduziram a uma pressão crescente sobre os meios naturais. A facilidade actual nos contactos entre as diversas comunidades que constituem a sociedade mundial, aumentam enormemente a possibilidade transformar doenças em pandemias.
Muitas das substâncias utilizadas na medicina provêm dos ecossistemas naturais que são possuidores duma enorme biodiversidade, isto é uma imensa riqueza biológica. Mas ao restringir cada vez mais estas áreas através da desflorestação e das súbitas alterações climáticas surgidas durante o último século, estamos a diminuir drasticamente o campo para novas descobertas que poderiam combater as velhas e novas doenças, impedir novas epidemias: salvar inúmeras vidas. Está na altura de nos apercebermos que estamos em simbiose com o meio em que vivemos, que este nos sustenta e que dele vivemos. Ao destruir o que nos rodeia, estamos a atacar a qualidade do ar e da água e a arruinar as condições de vida dos outros seres vivos e, como é evidente, a condenar-nos a uma privação do direito à saúde e à qualidade de vida.
È neste contexto que surge a noção de saúde ecológica, em que o nosso comportamento em relação ao meio em que vivemos acaba por se reflectir directamente no nosso bem estar físico, mental e social. Um novo comportamento é exigido e pode ser exemplificado, hoje em dia, pelos grupos de pessoas que se estabelecem em comunidades, mais integradas num meio que pretende mais sustentável, na busca de uma existência mais saudável e de uma continuidade da qualidade de vida para as gerações futuras. No fundo, este comportamento que se quereria mais generalizado, mais não é do que instinto de auto-preservação.