As consequências da utilização dos organismos geneticamente modificados (OGM), constitui um bom exemplo da forma como o poder económico e financeiro, neste caso as multinacionais agro-alimentares, subvertem as regras do funcionamento democrático das sociedades e as próprias leis naturais. É indispensável compreender as razões que levaram certas empresas transnacionais ligadas à agro-química a enveredar pela criação de plantas geneticamente manipuladas, desenvolvendo uma argumentação enganosa, cientificamente aberrante e contrária a inúmeros exemplos práticos existentes.
Todos sabemos que o objectivo dessas empresas não é, ao contrário do que é afirmado pela Monsanto (1), por exemplo, de “ajudar os camponeses do mundo inteiro a produzir alimentos mais sãos reduzindo simultaneamente o impacto da agricultura sobre o meio-ambiente”(2), asserção que a prática não só não tem confirmado como até a contraria radicalmente.
Diz Nicolas Hulot no prefácio ao livro de M. M. Robin(3): “compreende-se onde reside o poderio da Monsanto, como as suas mentiras prevaleceram sobre a verdade e porquê muitos dos seus produtos apresentados como miraculosos se revelaram, afinal, como verdadeiros pesadelos…., no preciso momento em que a empresa norte-americana se dota de uma ambição ainda mais “totalizante” que as precedentes – impor os OGM’s aos agricultores e ao consumo alimentar mundial - … (podemos perguntar-nos), enquanto é tempo, se podemos permitir a uma sociedade como a Monsanto deter o futuro da humanidade nas suas provetas e impor uma nova ordem política mundial”.
Seguem-se alguns depoimentos vindos de diferentes parâmetros:
- Aspar Jafri, responsável duma ONG, na Índia; relativamente” ao algodão BT da Monsanto – “essas plantas cujos méritos foram vergonhosamente elogiados revelaram-se desastrosos para os camponeses, empurrando-os um pouco mais para a ruína completa” (4)
- Agricultora francesa em declarações à revista “L’Express”, Dezembro de 2004 – “Perdi a paciência de pulverizar incessantemente para nada. Todo o dinheiro que ganhamos, gastamo-los em produtos (fitossanitários). Os vendedores dizem que a culpa é nossa porque não metemos a quantidade suficiente. Esses idiotas não fazem a mínima ideia dos problemas que nos põem as OGM’s. Se a coisa continua não são os insectos, mas nós próprios que iremos bater a asa”. Isto quando em 2004, “mais de metade das plantas BT sofreram a infestação de lagartas e vermes e numerosas sementes, bastante mais caras que as sementes convencionais recusaram-se a germinar, apesar das promessas das multinacionais. (4)
- Charles Benbrook – agrónomo americano – “Infelizmente tornou-se claro a partir de agora, que as culturas Round & Ready são mais vulneráveis a certas doenças…e esses problemas sanitários surgem porque o material genético introduzido para trazer a planta resistente ao Roundup modificou o funcionamento normal duma via metabólica, chave que desencadeia e e regula a sua resposta imunitária. Pena é que essa informação quando 40 milhões de hectares já tinham sido plantados na América…”. Ocorre, ainda, como o demonstraram em 2001, investigadores da Universidade do Arkansas que as bactérias Rhizobium que existem nas raízes da soja, fixadoras do azoto atmosférico e essenciais para o seu desenvolvimento, são afectadas pelo herbicida e a queda de rendimento das culturas pode atingir 25%. (3)
- Soil Association (americana) – “As provas que recolhemos demonstram que as plantas transgénicas estão bem longe de representar uma história de sucesso. Em completo desacordo com a impressão que a indústria das biotecnologias pretende dar, é evidente que aquelas não permitiram obter a maior parte dos benefícios proclamados e que se traduzem num desastre político e económico. (3)
Bibliografia:
-“Les OGM en guerre contre la sociéte” – ATTAC – Éditions Mille et une nuits – 2005
-“La Guerre secrete des OGM” – Éditions du Seuil – 2007
-“Le Monde selon Monsanto, de la dioxine aux OGM, une multinacionale qui vous veut du bien” – Marie-Monique Robin – Édition La Découverte / ARTE Éditions – 2008
-ATTAC–ComissionOGM www.france.attac.org/r29