Ecologia Industrial


Desde há largas décadas que progresso se identifica, no discurso dos responsáveis, com crescimento económico, pressupondo implicitamente um aumento constante da produção de bens materiais. Donde resultariam elevação do nível de vida e de bem-estar para todos, numa palavra, aumento da felicidade geral. Tudo isto assentaria num forte e constante aumento do consumo e implicaria a criação de novas necessidades e desejos estimulados pela publicidade, a abertura de novos mercados à exportação e uma absurda redução da vida dos objectos produzidos. Esquece-se contudo do essencial que são o rápido esgotamento dos recursos naturais devorados por economias comparáveis à cigarra da fábula e da poluição e acumulação de desperdícios que transformam a Natureza numa imensa lixeira. Este inconsiderado tipo de desenvolvimento está na raiz de múltiplas crises, como a da energia e do ambiente, por exemplo.
Nada disto é novo. Muitos autores se debruçaram sobre o tema, em particular Jean Marie Pelt, desde há várias dezenas de anos. Argumentar com desconhecimento só fazem sobressair a ignorância e a incúria dos responsáveis e defensores do crescimento sem fim.
Há inúmeras soluções e respostas para esta situação. Uma delas apresenta-se através de um novo conceito: o de ecologia industrial.
Esta concepção já é ensaiada em vários locais, como por exemplo numa cidade dinamarquesa de nome Kalundborg, e inspira-se no funcionamento dos ecossistemas naturais e pretende reduzir os diferentes tipos de poluição e de desperdício das matérias-primas.
Como funciona a ecologia industrial?
Pense-se num parque industrial qualquer. Suponha-se que as diferentes fábricas são seleccionadas e instaladas de tal modo que ficam dependentes umas das outras, isto é, os desperdícios duma são as matérias-primas utilizadas por outra que lhe está próxima. O próprio calor gerado não é libertado para a atmosfera servindo para aquecimento, inclusive dos edifícios da cidade. É evidente que este sistema não é perfeito e exige imaginação, criatividade e trabalho de pesquisa. No exemplo citado as economias em matérias-primas e energia são imensas. Estarão os nossos planificadores habilitados ou, até, dispostos a lançarem-se em trabalho de tal envergadura? Ou vamos continuar a desperdiçar recursos e oportunidades que nos começam a faltar dramaticamente?