A Publicidade apodera-se da Ecologia


Ao que parece a ecologia está na moda. Ou, pelo menos, fala-se nos media de temas ecológicos mais do que nunca. Em qualquer eleição, por esse mundo fora, os problemas ecológicos são obrigatórios. Ai de quem os evite ou esqueça. Mas, infelizmente, são sempre tratados e debatidos isoladamente como se não fizessem parte duma problemática mais ampla e intimamente interligada. Na realidade são apresentados de maneira pouco “ecológica”. Porque a ecologia é a ciência que estuda os problemas interligando-os e que procura abordá-los com uma visão de conjunto. Não se podem isolar as questões da energia, da agricultura, da poluição, da água ou outra qualquer sem as integrar na sua enorme complexidade. A ecologia é generalista e é alérgica à especialização redutora, a resolução dum problema ecológico acarreta obrigatoriamente solucionar ou atacar inúmeras outras questões.
Apesar de tudo e ao que parece, a ecologia está na moda.
Se fosse necessário prová-lo bastaria observar a publicidade com que somos bombardeados constantemente. Nos mais variados produtos as etiquetas de “ecológico”, “biológico”, “reciclado”, “respeitador do ambiente”, “biodegradável” e outras, florescem. Longe de nós clamar contra tal profusão desde que sejam respeitadas algumas condições essenciais. Que não seja um pretexto para aumentar indecentemente os preços. Que os produtos não viajem milhares de quilómetros tornando-se, através do seu enorme custo energético, bem pouco ecológicos. Que as embalagens respeitem também o anunciado na etiqueta. E, sobretudo, que não sejam uma declarada vigarice.
Todos sabemos que o papel da publicidade não é promover ou incentivar a produção de produtos ecológicos. A sua função é fazer vender, criar novas necessidades e promover o crescimento do consumo galopante. Se o apelo ecológico ajuda a venda, rendamo-nos ao que está na moda.