Sobreiro e Pinheiro


Em Coruche existe um organismo que se dedica ao estudo e combate às doenças, e são muitas, que afligem o sobreiro. Não tenhamos dúvidas, o sobreiro merece isso e muito mais. Ele e outros elementos da sua família, como as azinheiras e os carvalhos, são as árvores emblemáticas do nosso território e poderiam ser uma arma eficaz na luta contra a desertificação que é já o nosso presente nas regiões ao Sul do Tejo. Ter descurado as imensas potencialidades do sobreiro e as aptidões do País para a sua cultura e exploração é, no mínimo, duma enorme inconsciência. Dizia o Professor Vieira Natividade, em 1950, no seu livro sobre o sobreiro: “Queremos mais riqueza, e não mais carnificina; queremos árvores produtivas, longevas, saudáveis, e não vítimas que se degolam, esfolam e queimam em holocausto à ganância imprevidente ou à perdularidade sem escrúpulos … defendamo-lo (o sobreiro), até onde for possível, do seu maior e mais temeroso inimigo: o homem.” Melhor seria se estivéssemos a comemorar o meio século de existência do organismo que agora se criou. Até ver resultados que nos entusiasmem, resta-nos, sem muita fé, recitar o ditado: “Mais vale tarde do que nunca”.

Em relação aos pinheiros existe desde 1998 uma praga que os ataca. Ao que parece, na fronteira de Monfortinho, os transportes de madeira de pinho estavam a ser controlados e, provavelmente, impedidos de continuar viagem. Nada de espantar. Pois se até em folhetos com a sigla do Ministério da Agricultura se desaconselha vivamente o transporte de madeira no período de Abril a Outubro em nome da prevenção apontada como a solução. Curiosa prevenção! Há cerca de 2 anos houve um breve período de agitação em torno do problema. A faixa de contenção fitossanitária da propagação do nemátodo que ameaça os pinheiros atravessava duas freguesias do concelho do Cartaxo: Ereira e Lapa. Árvores foram assinaladas por pessoas de evidente competência, incluindo alguns sobreiros que por ali estavam, seguidamente abatidos. Mas depois, sobre o assunto caiu um espesso manto de silêncio. Por onde andará o nemátodo? É que, na altura, a tal faixa de contenção, atingia a leste o concelho de Mora, Évora, Viana e Alvito e a Sul, Sines e Odemira. É legítima a interrogação sobre o paradeiro actual do nemátodo porque ninguém acredita que a praga tenha sido contida.

Sobreiros e congéneres ameaçados, pinheiros e muitas outras coníferas em grave risco. Convenhamos que, também por este lado, as perspectivas não são risonhas.