Ecologia Política


A Ecologia política trouxe para a ribalta da política princípios incontornáveis e que estão longe de ter sido integrados na acção e pensamento políticos. Tal cegueira e apatia, seguramente interesseiras por irem contra os poderes instalados, penalizam duramente o presente e comprometem desesperadamente o futuro.
Desde o início que os grupos ecologistas advertiram que o Planeta tem limites, que não é uma lixeira ou um reservatório inesgotáveis e que os crescimentos infindáveis, afinal têm um termo. O mais distraído dos indivíduos percebe imediatamente que a chamada “classe política”, sobre a matéria, nada ouviu ou muito pouco. Os cidadãos também não, seja dita a verdade. Caberia a estes, já que a surdez é epidémica do outro lado, obrigá-los a entender. Para já registe-se a apatia geral. Com alguma exaltação pontual quando os interesses imediatos ou mais próximos estão ameaçados.
Depois, a Ecologia apela à solidariedade, ao equilíbrio e à igualdade entre os seres vivos, entre os povos e as nações e entre os homens, também. Invoca a partilha, a moderação e a participação. Aconselha reflexão e precaução perante os fenómenos que desencadeamos e que não podemos controlar. Ensina a integração no meio-ambiente e que todos os nossos actos de intervenção nos ciclos naturais acabam por ter consequências. Actualmente é evidente que essas consequências, dum modo geral, são nefastas. É destes princípios básicos que decorre a imperiosa necessidade de salvaguardar a Natureza e os seus processos que não dominamos e que, ainda, não conseguimos prever ou compreender na íntegra.
Isto leva-nos às eleições europeias a que vamos assistindo de tempos a tempos, terreno ideal para a discussão deste tema porque as soluções aos problemas terão de ser concertadas a nível mais global e a Europa poderia ser uma importante alavanca para a definição e aplicação das indispensáveis modificações estruturais do rumo das sociedades humanas. Infelizmente não é isso que acontece. Os problemas ambientais salientam-se pelo silêncio gritante da sua ausência. Como, aliás, a Europa, donde nos vem a maior parte das decisões que nos governam. E isto quando o Parlamento Europeu vai adquirindo mais poder e que o Tratado de Lisboa reforça ainda mais.
Entretanto… é bem possível que a destruição do Planeta avance para além da possibilidade duma imprescindível recuperação. E, no entanto, o poder para mudar reside em todos nós.