Gussing e Biomassa


Era uma vez uma pequena cidade chamada Gussing, esquecida num canto a leste do seu país, a Áustria, e encostada à fronteira com a Hungria e com a Eslovénia. Em finais da década de 80 os empregos minguavam e Gussing definhava e empobrecia. Os inúmeros bosques que a enquadram e que temperam os rudes Invernos eram impotentes face à depressão e à tristeza que a invadiam. Gussing, perdida no seu canto, parecia condenada a ser pobre em país rico.
Mas eis que um seu filho se lembra de pôr em marcha um ambicioso projecto no campo das energias renováveis lançando-se na pesquisa e aproveitamento do recurso disponível na região: a massa vegetal que iria produzir calor e energia e muito adubo vegetal. A biomassa conveniente e racionalmente aproveitada iria salvar Gussing. A administração local apoiou incondicionalmente o projecto, premissa necessária para que avançasse rapidamente
Hoje Gussing é completamente independente na produção e distribuição duma energia totalmente descentralizada e limpa. Hoje, com mais razão, a floresta continua a temperar os Invernos e continuará porque as árvores abatidas são religiosamente substituídas e, até, aumentado o seu número. A tristeza, compreensivelmente, transformou-se em orgulho. A independência energética potenciou a criação de mais de mil novos postos de trabalho e segundo afirma o pai do projecto, permitiu também a descentralização da riqueza e do poder.
Consta também que Gussing, que não é egoísta, irá fornecer o seu método de produção de energia a toda a região. Se esquecesse a existência das fronteiras antes referidas seria ainda melhor.
E se, por toda a parte, o exemplo da desconhecida Gussing fosse seguido, utilizando as capacidades locais? Assim se iria construindo a sociedade de amanhã.