Em 2009, irrompeu em França um agitado debate sobre as condições de potabilidade da água doméstica consumida. Na base da discussão está um relatório organizado por cientistas de que se fez eco nos jornais e televisões. Ficou-se a saber que no ano de 2008 e durante algum tempo, pelo menos, 10 milhões de franceses haviam consumido água pouco potável. Se considerarmos o facto de os franceses estarem convencidos, e com razão, de viverem num país com grandes reservas do precioso líquido, facilmente se percebem as razões da emoção. Entre os responsáveis de tal degradação eram principalmente apontados a agricultura química e a privatização da água fornecida. A agricultura devido à utilização cada vez maior de pesticidas, herbicidas e adubos químicos que infalivelmente vão envenenando águas subterrâneas e superficiais. Neste momento em algumas autarquias perspectiva-se um movimento, alias já iniciado, de proibição de culturas não-biológicas nas bacias de recolha de água. Quanto às empresas privadas fornecedoras, como é evidente, são acusadas de pensarem mais nos lucros do que na qualidade. Assiste-se, neste capítulo, a um processo que poderá levar à desprivatização da água, o que, aliás, já foi um dos temas principais durante a campanha para as eleições municipais. As notícias oriundas dum país rico em água e do ponto de vista agrícola deviam levar-nos a pensar seriamente no que se passa por cá e a tomar medidas.
Todos sabemos que o sabor da água canalizada nem sempre é bom e que pairam dúvidas sobre a sua qualidade. Daí o refúgio em águas engarrafadas, sobretudo para beber. Mas beber sempre a mesma água mineralizada conduz a acumular os mesmos minerais no organismo. Pelo menos varie frequentemente de água. Quanto às garrafas de plástico que imperam saiba que levantam dúvidas porque possivelmente não são inócuas e o seu transporte e manuseamento não é, muitas vezes, o mais indicado. Há estudos em curso sobre a sua utilização generalizada. Veremos o que nos trazem e, sobretudo, se conheceremos resultados irrefutáveis.
Claro que o que seria verdadeiramente progressivo, moderno e cómodo, seria termos a correr nas nossas torneiras uma água de qualidade irrepreensível. Mas para tal, não tenhamos ilusões, será necessária a intervenção esclarecida e combativa dos cidadãos. De que estamos à espera?