Pegada Hídrica de Portugal


A questão da água será um dos mais graves problemas com que a humanidade se debaterá neste século. E, provavelmente, o mais dramático, fruto dos inúmeros conflitos que a sua posse desencadeará.
Vamos analisar alguns aspectos essenciais da nossa pegada hídrica, noção similar à da pegada ecológica e que representa o volume de água necessário à produção do que consumimos.
No conjunto de todos os países ocupamos um extraordinário e escandaloso sexto lugar. Esta honra que nos coloca entre os seres que mais esbanjam a água cifra-se no espantoso número de 2.264 m³ por ano e por pessoa. Esta a média obtida sobre os consumos referentes ao período entre 1997 e 2001, tal como se pode ler no “Relatório Planeta Vivo 2008” da fundação suíça WWF e divulgado pelo jornal “Público” em Agosto de 2009. Quer o número atrás referido dizer, que cada um de nós, em média, consome o luxuoso volume de 6.200 litros de água por dia, directa ou indirectamente. Mas não deixa de ser curioso verificar que mais de metade dessa água é imputada à nossa pegada externa, ou seja dos produtos importados que consumimos. Fica o leitor esclarecido quando começava a interrogar-se onde íamos buscar tanta água.
Se, por acaso, um humilde sexto lugar entre todos os concorrentes possíveis o faz descrer nas capacidades pátrias, não esmoreça. É que nos cálculos não entram os produtos agrícolas importados, por limitação de dados, indicam os autores. Ora, apenas alguns baldes diários nos separam da Espanha, da Itália e da Malásia. Fossem as continhas bem feitas e o pódio já não nos escaparia. Quanto á Grécia e ao campeão, os Estados Unidos a distância também é curta e fosse a arbitragem deste concurso mais rigorosa…talvez o primeiro lugar não nos escapasse. Mas como os dados são de há 8 anos, talvez, sem sabermos, sejamos os melhores do mundo no desperdício de água.
Com esta boa notícia vos deixamos.
A má notícia, à laia de conselho, é que teremos de fazer grande prova de imaginação e engenho e, sobretudo muito mais rigor e menos incúria em economizar algo que nos vai cruelmente faltar nos anos que aí vêm. É para isso que apontam todos os indicadores conhecidos.