Catastrofismo


Desde o seu aparecimento têm os ecologistas sido acusados de inúmeras coisas, mas as mais comuns são, sem dúvida, as de catastrofistas e pessimistas. No entanto, não só o optimismo não resolve nenhum problema nem o mais negro dos pessimismos tem o condão de os agravar. Ser-se optimista ou pessimista nada tem a ver com as questões que se põem à humanidade e ao planeta, nem contribui minimamente para a sua resolução. A verdade é que nós vamos a uma velocidade crescente, sem discernir o caminho que trilhamos e sem definição de objectivos adequados à sustentabilidade da complexa teia de vida que habita e modela o nosso planeta. Conhecem-se os erros cometidos, mas obstinadamente continua-se. Sabemos as implicações dos diversos tipos de poluição, mas imperturbavelmente continua-se a poluir os rios e riachos, o ar, os solos e os oceanos. Sabemos os resultados da ameaça atómica, mas continua-se a construir centrais e bombas nucleares. Sabemos os perigos dos pesticidas e dos adubos químicos, mas continua-se a espalhá-los nos campos. Sabemos dos problemas, praticamente insolúveis, criados pela urbanização, mas as cidades continuam a crescer aceleradamente. Sabemos, mas continua-se. Mas novos problemas surgem, acumulando-se sobre os já existentes. Estimações recentes indicam que em meados do século actual existirão no mundo cerca de mil milhões de emigrantes ambientais, provocados pela exploração mineira intensiva ou por grandes projectos hidroeléctricos, pelas alterações climáticas e pelas inundações dos solos litorais ou por causas demográficas. Na China, desde há muitos anos, que uma população flutuante de cerca de 100 milhões de camponeses miseráveis erram pelo país em busca de um emprego. Que têm pessimismo ou optimismo a ver com tudo isto? Discutir do pessimismo ou do optimismo das posições respectivas em nada contribuem para a solução das questões. Necessitamos, isso sim, de lucidez, de clarividência, de reflexão e de encontrar respostas sem juízos antecipados e comprometidos.